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Um Histórico da OSIB e os desafios atuais da formação

A fundação da OSIB e suas principais atividades 

Por Pe. Alberto Antoniazzi

 Desde 1966, a CNBB, através do Secretariado Nacional de Seminários e, posteriormente, através do Setor de Vocações e Ministérios da Linha 1 da CEP, reunia anualmente ou bienalmente os Reitores dos Seminários. Quando se manifestaram os sinais de superação da crise das vocações, que caracterizou o início dos anos ’70, também por sugestão da OSLAM (Organização de Seminários Latino-Americanos), começou-se a pensar numa Organização Brasileira de Seminários Maiores, que permitisse e facilitasse um intercâmbio de experiências e uma conjugação de esforços.

Chegou-se assim à fundação da OSIB, cuja primeira Diretoria incluía Pe. Alberto Antoniazzi (Belo Horizonte), presidente; Pe. José Maria de Almeida (São Paulo); Frei Luís Pinto de Azevedo (Belém do Pará); Pe. Jan de Bie (Salvador); Pe. Paulo Bratti (Florianópolis-SC). Para secretário foi escolhido Pe. Alberto Taveira Correa (Belo Horizonte), que mais tarde foi eleito presidente da OSLAM e hoje é arcebispo de Palmas (TO).

 De início, era preciso estabelecer um recenseamento dos Seminários e conhecer a sua situação. Foi elaborado então, pela primeira vez, um Catálogo dos Seminários do Brasil. A primeira edição, de 1978, incluía 389 instituições ligadas à formação presbiteral (Seminários Menores e Maiores). Na edição de 1980, as Instituições eram 415; em 1984, 527 e 613 em 1988. O catálogo foi completado, em 1981, por um Cadastro de professores1, que infelizmente não foi atualizado posteriormente.
  Outra exigência muito sentida pelos Formadores era a de se preparar melhor para desempenhar sua responsabilidade. A OSIB promoveu, no Rio de Janeiro, em julho de 1979, o primeiro curso de Formadores, de 10 dias. Uma segunda etapa do curso foi realizada no início de 1981. Um novo tipo de curso, sobre problemas psicológicos e morais da formação, foi realizado em São Paulo em outubro de 1981.
  Ao mesmo tempo, a OSIB proporcionava oportunidades de reflexão em conjunto sobre as diretrizes da formação, em sintonia com a orientação do Episcopado. As contribuições da Assembleia da OSIB e do Encontro de Reitores de julho de 1980 foram acolhidas no documento da Assembleia Geral dos Bispos de abril de 1981: “Vida e Ministérios dos Presbíteros – Pastoral Vocacional”. Logo após, no segundo semestre de 1981, a OSIB e a Assessoria da CNBB iniciaram um amplo processo de consulta aos seminários, para elaborar as Diretrizes Básicas da Formação dos Presbíteros na Igreja do Brasil, que foram aprovadas pela Assembleia Geral da CNBB em abril de 19842.
  Na 5ª assembleia da OSIB, de 17 a 20 de julho de 1986, em Belo Horizonte, foi aprovado um novo “Estatuto da Organização dos Seminários e Institutos Filosófico- teológicos do Brasil”. O mesmo foi revisado em 1997 e aprovado com algumas emendas na 11a. Assembleia da OSIB, realizada em São Paulo, entre os dias 08 e 12 de fevereiro de 1999.
  Desde então a OSIB continua realizando diversas iniciativas a serviço dos formadores, sempre em comunhão com o Setor Vocações e Ministérios da CNBB e visando a realizar o aprimoramento da formação na linha das Diretrizes Básicas. Destacamos os cursos para formadores3; a elaboração de orientações para os estudos filosóficos e teológicos, com os relativos ementários4; o boletim “OSIB-informa”5; os Cadernos OSIB, as pesquisas sobre a vida e situação dos seminaristas do Brasil6. De 1993 a 1994 a OSIB empenhou-se na renovação das Diretrizes da Formação presbiteral da Igreja no Brasil, à luz da Exortação Apostólica “Pastores Dabo Vobis”. As novas Diretrizes Básicas foram aprovadas pela Assembleia da CNBB e promulgadas em 1995 com o reconhecimento da Santa Sé7.
  Preocupada com a qualidade do clero brasileiro, muito mais do que com a quantidade, em 1989 a OSIB elaborou um primeiro esboço sobre os “critérios para admissão às etapas do seminário maior e á ordenação presbiteral”8. O conjunto de critérios e condições recolhidos nos diversos regionais, foram debatidos e aprovados globalmente pela VII Assembleia Nacional da OSIB, em 1990.9
  Outro serviço com a ajuda da OSIB foi o “Decreto geral legislativo sobre a admissão de egressos ao Seminário”, analisado profundamente na 35ª Assembleia geral da CNBB, abril de 1997, e aprovado pela Congregação para os Bispos no dia 23 de setembro de 1997, entrando em vigor no dia 01 de janeiro de l99810
2. O contexto em que a OSIB foi fundada
 
    Não creio necessário me delongar muito sobre a história dos Seminários antes da OSIB11. No seminário nacional da OSIB de 2000, acenei brevemente à formação presbiteral nos anos ’50 e às inovações do Concílio Vaticano II12. O decreto “Optatam Totius”, promulgado em 28 de outubro de 1965, previa que cada País tivesse uma própria “Ratio Institutionis Sacerdotalis” ou um Regulamento da Formação Sacerdotal. O então Secretariado da CNBB para os Seminários estava preparando o texto13 da “Ratio” brasileira. Mas nem todos os Episcopados estavam tão interessados ou ativos, e acabaram pedindo um modelo romano, que veio na veste da “Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis”, divulgada pela Santa Sé em janeiro de 1970. Imediatamente Dom Afonso Niehues e o Pe. Carlos Alberto Navarro mandaram a comissão que trabalhava na “Ratio” brasileira formular breves normas de aplicação da “Ratio” universal ao Brasil. As normas foram aprovadas pela Assembleia da CNBB de Brasília, em maio de 1970, e pela Santa Sé, em 28 de abril de 1971. Só em maio de 1984, aquelas normas provisórias foram substituídas por “Diretrizes básicas” mais consistentes e, sobretudo, mais encarnadas na realidade brasileira14.
      As normas de 1970 previam ainda algum espaço para experiências diferentes, que inovavam respeito à “Ratio” de Roma e ao modelo tradicional de Seminário. Mas as “experiências”, numerosas nos anos 1966-69, já estavam em crise. Infelizmente, muitas das experiências inovadoras sofreram um processo de radicalização e de rápido desgaste, que as levou ao desaparecimento precoce. A crise do clero (mais evidente no alto número de saídas dos anos 1970-1975) e o contexto sócio-político (os anos mais duros da ditadura militar: 1969-1974) também contribuíram para esfriar as inovações e criar um clima de resignação e pessimismo. O número dos seminaristas foi diminuindo gradativamente até 1974. Paradoxalmente, os números – constituídos pela soma das diversas situações regionais – não revelam a gravidade das crises locais, que levaram a fechar muitos Seminários e a deixá-los fechados por muitos anos. Também foram fechados para sempre muitos Seminários Menores. No conjunto, o número dos seminaristas maiores caiu lentamente até 1974; logo depois, voltou a crescer e, depois de 1978, aumentou com um ritmo de 15% por ano, o que levou em 1982 a conseguir um número de seminaristas maiores superior, em termos absolutos, e igual, em termos relativos, ao de 1960: 4,2 seminaristas por 100.000 habitantes15.
      No início dos anos ’70 aconteciam, com participação sempre menos numerosa e sempre mais pessimista, as reuniões de Reitores e Formadores promovidas pela Linha 1 da CNBB. Na segunda metade da década, a esperança voltou e os Reitores pensaram em se associarem mais estreitamente para buscar uma ajuda mútua. As crises dos anos anteriores tinham revelado, muitas vezes, uma difícil conciliação dos três pólos interessados na formação: os seminaristas, os formadores e os Bispos (ou Superiores religiosos). Muitos formadores tinham sido substituídos num ritmo vertiginoso. Os novos formadores se diziam “pegos a laço” e não preparados. Era preciso investir na formação dos formadores. Assim nasceu a OSIB.
      Certamente não foi a OSIB que mudou o quadro, mas ela não deixou de trabalhar (como vimos acima) para que aumentassem as vocações ao presbiterado e os vocacionados recebessem uma formação de melhor qualidade.
      É bom lembrar aqui os dados dessa mudança nos Seminários e na ordenação de novos presbíteros, que caracteriza o final dos anos ’70 e continua, com alguma oscilação, até hoje. 
3. A evolução da formação presbiteral no Brasil
 
3.1 – Dados quantitativos 
    Vou fornecer alguns dados básicos e levantar algumas reflexões, valendo-me de informações do CERIS, o Centro de Estatística Religiosa ligado à Conferência dos Bispos, a CNBB16
    Antes de tudo, quantos padres?
  Antes de entrar na questão das vocações e dos seminários, vamos dar uma olhada à evolução do número dos padres.
     Em 1964, o Brasil tinha 12.589 sacerdotes (presbíteros), dos quais 4.829 (38,4%) diocesanos e 7.760 religiosos (61,6%). No total, 5.326 eram vindos do exterior (42,3%), enquanto 7.263 eram brasileiros natos (57,7%). No clero regular, os estrangeiros eram 55%; entre os diocesanos, 21,6%. A evolução posterior é a seguinte:
     

Clero: 1970 2000 Diferença
Diocesano 5.040 9.207 + 82,6%
Religioso (ou de Institutos) 8.052 7.565 - 6,4%
TOTAL 13.092 16.772 + 28,1%
            Em poucas palavras, os padres diocesanos aumentaram, em trinta anos, 82%. Os religiosos, depois da “crise”, ainda não se recuperaram e hoje são cerca de 6% a menos que em 1970. A diminuição dos religiosos se deve em parte ao regresso à pátria de muitos missionários. No final de 2000, o número dos padres vindos do exterior era de 3.148 (= 18,8%), dos quais 2.237 religiosos (29,5% do total de religiosos) e 911 diocesanos (10% do total dos diocesanos). De 1964 a 2000, os padres vindos do exterior diminuíram de 5.326 para 3.148 (- 40,9%) e os padres brasileiros aumentaram de 7.263 para 13.61417 (+ 87,5%).
    O número das ordenações
    Também a evolução do número das ordenações mostra que o crescimento dos diocesanos é significativo. Para oferecer uma visão mais matizada da situação, construímos o quadro seguinte:
    Número de ordenações sacerdotais
  Diocesanos Religiosos
Anos Total Média anual Diferença18 Total Média anual Diferença
1964-1970 549 78 - 1099 157 -
1971-1980 1046 104 +33,4% 1106 110 - 41,9%
1981-1990 2361 236 +125,7% 1674 167 +51,35%
1991-2000 4010 401 +69,8% 1813 181 + 8,3%
    Em outras palavras, nos anos ’60, os religiosos ordenavam duas vezes mais padres que os diocesanos (média anual: 157 x 78). Nos anos ’70, o número das ordenações de religiosos e diocesanos é quase igual (110 x 104). Nos anos ’80, os diocesanos superam nitidamente os religiosos, na proporção de 236 a 167. Finalmente, nos anos ’90, as ordenações dos diocesanos são mais que o dobro dos religiosos (401 x 181).
    
    A relação padres/população
         O aumento da população, porém, foi maior ainda: de 95.137.800 em 1971 para 169.799.170 (em 2000, segundo o último censo do IBGE), o que equivale a um aumento de 78,4%. Logo, havia um padre para 7.351 habitantes em 1971 e há um padre para 10.124 habitantes em 2000. O número de habitantes por padre cresceu nos anos ’70 e ’80, mas se estabilizou nos últimos 10 anos. De fato, os padres eram 14.419 em 1991; cresceram desde então 16,3%, ou seja, com o mesmo ritmo de crescimento da população (15,5%).
     Em resumo, pode-se dizer que o clero no Brasil se tornou, nos últimos 30 anos, mais diocesano, mais brasileiro (sobretudo entre os religiosos) e mais jovem (sobretudo entre os diocesanos), mas também menos numeroso relativamente à população. 
     Por que há mais vocações para o clero diocesano? 
  Explicar as causas da diferença que observamos no crescimento do número de vocações entre padres diocesanos e religiosos não é fácil. Há alguns anos, estudei a evolução dos seminaristas entre 1970 e 1995, constatando que nos seminários diocesanos se ordenavam padres 70% dos estudantes que tinham ingressado no 1º ano de Filosofia, enquanto a mesma porcentagem nos Seminários religiosos era levemente inferior a 50%.
  Isto, porém, não explica o fato. Só o confirma. Por um lado, a formação dos religiosos pode ser mais exigente e levar a uma seleção maior. Por outro lado, é possível que o recrutamento dos religiosos tenha sido feito, ao menos em certos casos, com menor cuidado. Ou as duas coisas acontecem, em congregações ou Institutos diferentes, pois nem todos têm o mesmo cuidado com a formação.
  Além de outras considerações mais gerais, creio que não se deva subestimar o esforço feito pelas dioceses, especialmente nos últimos vinte anos, para ter seminários mais próximos do lugar de origem (e, portanto, da família) dos seminaristas e para investir na formação dos formadores. Até 1960 (quando no Brasil havia 3.000 seminaristas maiores, dos quais quase dois mil religiosos e pouco mais de mil diocesanos), os Seminários Maiores diocesanos eram poucos e alunos do Amazonas estudavam no Rio de Janeiro e muitos de Paraná, Bahia e até S.Paulo estudavam em Minas Gerais, i.é, longe das dioceses de onde vinham.
  Também a vocação e as tarefas do padre diocesano parecem mais claramente definidas e previsíveis, do que as dos religiosos. Isto provavelmente facilita uma decisão dos candidatos. 
  Por que há mais vocações depois de 1978? 
    O número de ordenações e de presbíteros está relacionado, evidentemente, com o número dos seminaristas. O CERIS alterou o critério de contagem dos seminaristas dos Institutos (religiosos) a partir de 1990, o que torna imperfeita a comparação. Mas se pode construir, a partir das tabelas do CERIS, este quadro que é bastante coerente com os dados sobre as ordenações presbiterais: 
    
  Seminaristas diocesanos Seminaristas religiosos
Ano Índice Índice
1960 1.066 107 1.932 127
1965 642 64 1.913 125
1970 757 76 1.444 95
1975 1.000 100 1.525 100
1980 1.692 169 1.847 121
1985 3.067 307 2.734 179
1990 3.147 315 1.654* 108
1995 3.154 315 1.901* 125
2000 3.412 341 2.635* 172
    (*) Número de noviços e professos temporários, excluídos os pré-noviços. 
    Em termos de comparação com a população, pode-se chegar às seguintes conclusões: 
 

    
Ano População no Brasil Seminaristas diocesanos Seminaristas religiosos Total de seminaristas Seminaristas por 100.000 habitantes
1960 70.070.467 1.066 1.932 2.998 4,27
1970 93.139.037 757 1.444 2.201 2,36
1980 119.002.706 1.692 1.847 3.539 2,97
1990 144.723.900 3.147 1.654 4.801 3,31
2000 169.799.170 3.412 2.635 6.057 3,56
 
      Esses dados não confirmam a convicção, expressa em 1982, que o número de seminaristas tivesse voltado – em termos relativos – ao mesmo nível de 1960. Há, indubitavelmente, um crescimento – não apenas absoluto, mas também relativo – de 1970 para cá. E é possível que o número dos seminaristas religiosos esteja subestimado (poderia ser aumentado por uma parte do número de “pré-noviços” computados pelo CERIS e que nós não consideramos nos quadros acima). De qualquer forma, as tendências dos anos 1970-2000 são claras. Mais difícil é prever o futuro, pois há sinais novamente de crescimento numérico dos seminaristas, mas também de maior fragilidade e incerteza das vocações, com consequente aumento das desistências durante o (longo!) período da formação presbiteral.
      Mas, afinal, por que depois da crise (1965-1974) as vocações aumentaram? As pesquisas promovidas pela OSIB e pela Linha 1 da CNBB em 1982 e em 199319, comparadas com a pesquisa de 1960, parecem indicar que as vocações presbiterais dos anos ’80 e ’90 provêm de um meio popular, em muitos casos de origem rural, com escassa presença de filhos da classe média e de alunos dos colégios católicos. Os pais dos seminaristas trabalhavam, em 1993, em mais de 40% dos casos, na agricultura (a população rural, na época, devia ser de cerca de 23%; a população ocupada na agricultura era, em 1992, 28% do total da população ocupada). O rendimento do pai dos seminaristas diocesanos era de menos de 1 SM (salário mínimo) para 22,6% dos casos, de 1 a 2 SM em 24,7% dos casos, de 2 a 5 SM em 31,7% dos casos, de 5 a 10 SM em 9,9% dos casos, superior a 10 SM em 5,6% dos casos (faltam informações em 5,6% dos casos). Para os seminaristas religiosos, os rendimentos familiares eram ainda mais baixos (83,6% dos pais ganhavam menos de 5 SM contra 79% dos pais dos diocesanos).  
3.2 - A mudança da mentalidade e da motivação 
    As pesquisas citadas, de 1982 e 1993, não fornecem dados que permitam entender as motivações que levam os candidatos a acolher (ou discernir) a vocação presbiteral20. Mas diante das grandes mudanças, da sociedade e da Igreja, dos anos ‘60 pra cá, é preciso se perguntar o que terá havido nas motivações vocacionais. Os jovens de hoje encaram o presbiterado da mesma forma que os seminaristas dos anos ’50 ou ’60? Pode-se admitir, por muitas razões, que as motivações não são mais as mesmas. Em consequência, também a formação não pode ser mais a mesma e o trabalho dos formadores deve ser repensado num novo contexto.
    Na falta de dados sobre a evolução da mentalidade dos seminaristas, podemos oferecer uma hipótese de trabalho, um instrumento que talvez possa nos ajudar a compreender melhor o que mudou e o que temos hoje diante de nós. Esse instrumento é uma análise da evolução do catolicismo desde Pio XII (+1958) até recentemente, elaborada pela socióloga francesa Danièle Hervieu-Léger21. Apresento uma síntese das observações dela, que aponta para um processo de esvaziamento da dimensão institucional e comunitária.
     Basicamente, um pouco em todo o mundo ocidental, predominantemente cristão, inclusive no Brasil, a religião passou de um primado ou predomínio da instituição para uma primazia do indivíduo. Passou também, ao mesmo tempo, de uma orientação clara para Deus ou a transcendência para a busca de soluções imediatas, às vezes quase mágicas, dos problemas humanos de todos os dias. Podem-se distinguir quatro etapas.
    Na primeira, a Igreja Católica (e outras Igrejas cristãs tradicionais, ortodoxas ou evangélicas) se apresenta como uma sólida instituição tradicional, onde os fiéis (salvo exceções) aceitam a autoridade da hierarquia eclesiástica para orientar a sua fé (conteúdos doutrinais e normas morais). Basta pensar nos tempos do Papa Pio XII. O princípio que legitima as crenças dos fiéis é a conformidade com o ensinamento da autoridade eclesiástica (o Magistério).
    Na segunda etapa, o acento é colocado sobre as comunidades: comunidades relativamente pequenas, de “dimensão humana”, de relacionamento direto e próximo entre as pessoas. Basta pensar ao grande desenvolvimento que nos anos ’70 tiveram no Brasil as comunidades de base e, em anos mais recentes, os “novos movimentos”, que não deixam de ser um tipo de comunidades, menos presas ao território e às relações de vizinhança ou parentesco, mais voltadas para a criação de laços afetivos entre pessoas que aderem ao movimento por escolha pessoal, por afinidade ou simpatia com as lideranças carismáticas. (Alguns sociólogos, retomando Weber, falam de “comunidades emocionais”22). Nessas comunidades, a experiência de fé é sustentada e regulada pelo próprio grupo. A doutrina certa não é mais a que é conforme ao magistério da Igreja, ao ensinamento de Papas e Bispos, mas a que é coerente com a experiência da comunidade ou movimento.
    Na terceira etapa, um elemento da segunda se isola e permanece sozinho, dando mais um passo em direção ao individualismo. O indivíduo procura orientar sua fé a partir do exemplo de um outro, que acredita mais experiente e sobretudo autêntico em sua experiência religiosa. O indivíduo ainda olha para um outro, mas não sente a necessidade de partilhar a vida de um grupo. Basta-lhe seguir o exemplo ou encontrar inspiração no testemunho de uma pessoa. É o que acontece, na opinião de vários observadores, com muitos jovens (como os dois milhões que de todas as partes do mundo se reuniram em Roma no agosto de 2000, para celebrar o Jubileu): eles reconhecem no Papa uma testemunha autêntica da fé e de muitas outras virtudes, mas não obedecem necessariamente à disciplina oficial da Igreja, nem todos aceitam do Papa a autoridade institucional.
    Na quarta e última etapa, o indivíduo procura a legitimação de sua fé dentro de si mesmo. É seu sentimento subjetivo que decide. “A minha religião sou... eu”, disse-me com alguma hesitação, mas com muito realismo, um católico não praticante. Não há mais procura da comunidade, embora possa haver busca de experiências religiosas diversas, procuradas e adquiridas na tradição ou no mundo religioso como se este fosse um super-mercado em que o cliente escolhe o que quer e compra produtos de marcas diversas23.
    É importante também lembrar o crescente papel da mídia, dos meios de comunicação social de massa, que contribuem para dar destaque a algumas figuras referenciais no campo religioso e, ao mesmo tempo, trabalham para o predomínio da imagem, da emoção, e muitas vezes da simplificação e da banalização das realidades “comunicadas” ou manipuladas.
    As questões que deveríamos aprofundar são, portanto, duas:
  1. Esta evolução do catolicismo (que aceitamos como hipótese geral, mesmo que nos casos concretos a evolução não tenha sido tão linear quanto no esquema da socióloga) teve efetiva repercussão na percepção da vocação por parte dos seminaristas? A geração atual dos candidatos ao presbiterado busca predominantemente a segurança de sua fé e de sua vocação num sentimento interior, pessoal, subjetivo?24
  2. O nosso trabalho de formadores está ainda fortemente marcado pela concepção do Seminário pensado para formar servidores obedientes e fiéis da Instituição eclesiástica25 ou leva seriamente em conta as características psicológicas e os condicionamentos culturais da juventude de hoje?
 
4. Os desafios atuais
4.1 – O pluralismo dos modelos de ministério presbiteral
    Uma confirmação do “subjetivismo” com que os novos presbíteros pensam e realizam sua vocação creio encontrá-la no evidente pluralismo de “modelos” que inspiram hoje o ministério presbiteral. Minha atenção para o fato do pluralismo, que já estava presente nas discussões recentes sobre o presbiterado no Brasil, foi aguçada por um recente artigo, em que um Reitor de Seminário se pergunta: Por que nós procuramos formar os novos presbíteros segundo um modelo, que nos parece correto e conforme às indicações da Igreja, e os padres jovens exercem seu ministério de forma muito diferente, segundo outros modelos?26
    Desconheço pesquisas recentes sobre a tipologia do ministério presbiteral exercido no Brasil27. Temos, contudo, uma rica coleção de análises e reflexão nos “instrumentos preparatórios” dos Encontros Nacionais de Presbíteros, de 1985 a 200228.
    Não dispondo de pesquisas, arrisco-me a propor – para exame crítico e discussão – algumas hipóteses e observações. Que tipos ou “modelos” de padres encontramos hoje atuando na Igreja, no Brasil? A descrição não pretende ser rigorosas, mas indicativa.
    O primeiro modelo, talvez o mais comum (graças a Deus!), o que se encontra mais frequentemente nos ENPs, é o padre-pastor, mais exatamente o padre caracterizado pelo ativismo pastoral. É alguém que se dedica com muita generosidade ao serviço da comunidade29. A generosidade, porém, tem seus riscos ou seus limites. Antes de tudo, há uma pressão muito forte, hoje, para que o padre (especialmente o pároco30) assuma uma multiplicidade de tarefas, que não são todas necessariamente de sua competência, mas impostas ou solicitadas pelo bem da comunidade. Daí muitas atividades sociais, muitos pedidos de atendimentos a casos pessoais, muitas celebrações rotineiras de sacramentos. Se for levado em conta o tamanho muito grande da maioria das paróquias, compreender-se-ão outras consequências inevitáveis.
    Uma consequência da sobrecarga é a situação de “estresse” do padre. Provavelmente o “estresse” era maior em 1985 (no tempo do 1º ENP), mas há sinais alarmantes de um peso excessivo das atividades pastorais (e/ou sociais) que o padre assume, em prejuízo de um maior equilíbrio pessoal, físico e emocional31. Um padre cansado, às vezes exausto, nem sempre conseguirá dar a devida atenção aos seus fiéis e, principalmente, pode cair na tentação de recusar tudo o que é novo, sob a alegação de que não tem mais tempo. Daí o risco, numa época de mudanças, como a nossa, de se afastar das categorias humanas mais dinâmicas e menos atraídas pela pastoral tradicional: jovens, formadores de opinião, empresários pequenos e grandes... Ao limite, pode ficar atrasado no tempo e afastado da “modernidade”. Pode faltar “alimento” também à pastoral tradicional: pouco estudo, pouca oração, pouca oportunidade de aprofundamento, de ouvir com mais atenção os anseios dos que o procuram.
    Uma forma de se libertar da sobrecarga e do “estresse” é, para o pároco, repartir muitas de suas tarefas pastorais com outros ministros ou equipes de colaboradores: animadores de comunidades, catequistas, equipes de liturgia, pastorais sociais, ministros extraordinários dos sacramentos... A pesquisa da CNBB no início do PRNM revelou, porém, que os párocos confiam frequentemente as comunidades rurais a ministros ou animadores leigos, mas dentro da paróquia continuam centralizando, se não monopolizando, grande parte das atividades32.
    Outra forma que os padres descobriram mais recentemente  é a de operar uma espécie de divisão entre o tempo dedicado ao ministério e o tempo dedicado à sua própria vida particular. Alguns “somem” tão somente na segunda-feira, que virou o “dia santo” do padre, em que não se preocupa com nada das responsabilidades pastorais ou se torna “desaparecido”, não encontrável. Outros são difíceis de se encontrar durante a semana toda (não apenas às segundas-feiras): passam a morar longe da paróquia, não deixam número de telefone, não estão disponíveis a não ser em poucos horários...
    Pe. Edênio Valle tinha levantado, já em 1995, os sinais da presença do “padre light”33. Ele o descreve de forma delicada, preocupado em não jogar uma imagem preconceituosa sobre ele. Em suas palavras: “O padre "light" é alguém que ama a Igreja viva e serve aos seus irmãos e irmãs. Ele cultiva honestamente a espiritualidade e a oração; trabalha para superar suas limitações e fraquezas; condivide com o presbitério e a comunidade suas riquezas, preocupações e projetos pessoais. Relaciona-se "bem" com as pessoas, assume a causa dos pobres, estuda, reza, crê. Numa palavra, não pretende acomodar-se à "áurea mediocridade" de uma vida ainda bastante respeitada e respeitável. No entanto, paradoxalmente, algo o torna "um homem perplexo" (França Miranda), uma pessoa dividida entre a coragem e o medo de arriscar-se "para dentro" do que escolheu e quer ser. Sente, por isto, a tentação de retrair-se, de preservar-se, de manter "abstrata" a sua adesão aos valores estruturantes de sua vida. Esses valores estão ainda lá, são objeto de seu desejo e de sua preocupação. Não deslancham, porém, o dinamismo que leva mais além. O padre "light" entra na média comportamentalmente correta de quem vive na civilização urbana”. E Pe. Edênio esclarece ainda: “O parágrafo acima não pretende descrever padres em crise, frustrados e infelizes com a vocação escolhida, envolvidos afetivamente com outra opção de vida, como a do casamento, que antes não se punham. Não alude, tão pouco, aos casos patológicos, quando distúrbios e doenças mentais são a raiz explicativa do mal-estar sentido. Fala é do padre comum, do "bom-padre" que devido às circunstâncias tensas e aos desafios da cultura urbana, entra em "stress" espiritual, pastoral e psíquico”. E continua lembrando que as grandes cidades (inclusive segundo uma pesquisa da OMS daquele mesmo ano) são um lugar em que o “estresse” e a tensão emocional são muito frequentes.
      Outros tipos de padres estão aparecendo, ou reaparecendo. Entre as novidades temos o padre “midiático-carismático” ou “pop-star”, descrito por Clodovis Boff num “excursus” final do instrumento preparatório do 8º ENP (1 a 6.02.2000). Citemos só o início de sua colocação: “Vemos surgir hoje um novo tipo de Padre, que adota novas formas - dir-se-ia “carismáticas” - de anunciar Cristo e que, para isso, ocupa os “areópagos modernos” da mídia. Será que atualmente não estaria surgindo o gênero do “evangelista moderno”? É o que parecem indicar alguns presbíteros que estão recebendo razoável espaço nos meios de comunicação social, principalmente na TV. A imagem pública desses presbíteros pop star deve mexer com a cabeça de muito seminarista e induzir à imitação. Os próprios fiéis, fascinados por esse tipo de culto e de linguagem, vividos com alta intensidade emocional, passam a cobrar dos outros presbíteros mudanças na maneira de celebrar e de se comunicar. E assim, o novo processo parece penetrar pelo corpo inteiro da igreja, causando naturalmente perplexidades”.
      O fenômeno não é apenas brasileiro34. Também em outros contextos se percebe “uma tendência emocional e espetacularizante”, na qual alguns “redescobrem o sentido da ação do presbítero na afirmação do sagrado ‘estético-emocional’, que vem substituir o sagrado tradicional que se apresentava como separado e hierático”35.
      Num outro extremo, reaparecem também formas mais tradicionais do ministério presbiteral, que se inspiram ao exercício do sacerdócio antes do último Concílio. Esta procura de “recuperação das formas exteriores que caracterizavam a experiência sacerdotal antes do concílio Vaticano II” expressaria “a busca de formas seguras, certas, no meio de um fervilhar de propostas e modelos mutáveis e volúveis” e conotaria particularmente “sujeitos frágeis, necessitados de certezas, que copiam modelos sacerdotais que se contrapõem a tudo aquilo que sabe de ‘novidade’”. E às vezes estes sujeitos teriam dificuldades de relacionamento, pobreza de conteúdos na homilia e na catequese, dificuldade de colaborar com outros.
      Uma outra característica da atualidade é a valorização da competência ‘profissional”. O mundo atual exige, sempre mais, especialização nas atividades profissionais. Também os presbíteros podem se tornar “especialistas”, aprofundar sua preparação (pastoral) num determinado campo? Entre nós é ainda bastante raro encontrar esse tipo de presbítero, porém alguns veem de bons olhos o desenvolvimento de sua formação num campo específico e tendem a pensar seu ministério de forma análoga a de um “especialista” em outros campos. Por que um professor de teologia, por exemplo, não poderia ser semelhante a outro professor universitário ou pesquisador? Até seria desejável um presbitério que dispusesse, ao mesmo tempo, de vários especialistas, que cobrissem os campos principais de sua responsabilidade pastoral36. Por outro lado, se o presbítero escolhe a especialização somente por gosto (ou “vocação”) pessoal, sem considerar as necessidades do presbitério (ou da diocese ou da Congregação), poderíamos deslizar para opções que perderiam muito do seu sentido eclesial.
      Aliás, a valorização das qualidades pessoais (levando mais ou menos em conta as necessidades da comunidade) parece uma tendência forte e difundida entre os novos presbíteros. 
4.2 – Outros desafios no limiar do Novo Milênio
    O formador, que hoje não pode ignorar que os seminaristas são atraídos – interior e exteriormente – por esses diversos modelos de “ministério presbiteral”, terá que levar em conta outros condicionamentos da formação presbiteral atual. Em agosto de 2001, no seminário promovido pela OSIB37, acenava a alguns deles não sem lembrar inicialmente que “É um pouco arriscado descrever em poucas linhas os desafios da formação presbiteral no momento atual, numa situação muito diversificada e complexa. Os formadores não recebam as afirmações que se seguem como um quadro completo, tanto menos como afirmações dogmáticas. Vejam nelas apensas algumas pistas para refletir sobre a sua própria situação específica”.
    Citava, depois, como primeiro desafio: levar a sério o Concílio. “Apesar de seus limites, “Optatam Totius” é uma orientação equilibrada, sábia, em grande parte ainda não efetivamente realizada em nossos Seminários. Creio que se nos esforçássemos para tornar a nossa formação realmente mais condizente com as indicações do Concílio, teríamos muito a ganhar. Antes de sonhar com o Vaticano III, ou de ceder à tentação de voltar ao Vaticano I, realizemos o Vaticano II!”.
    Mas principalmente me parecia imperativo levar a sério “as novidades do (nosso) tempo, as mudanças – não pequenas – que na sociedade, na cultura e na Igreja aconteceram de 1965 para cá”. E lembrava alguns fatos que me parecem incidir fortemente sobre os formandos e o processo de formação:
  • antes de tudo, a personalidade e a formação humana dos que hoje ingressam no Seminário Maior. Eles não carecem tanto de experiência do mundo (como os seminaristas que ingressavam meninos no Seminário Menor) quanto de uma vivência de fé e de comunidade eclesial. Eles têm uma maior dificuldade de alcançar sua identidade38 e são mais expostos ao subjetivismo religioso e à tentação do anti-intelectualismo;
  • em segundo lugar, o processo de explosão do conhecimento e de fragmentação do saber. Os próprios professores, formados no meio universitário, tendem a tornar-se especialistas, distantes das questões básicas e vitais dos estudantes. O desejo do Concílio de uma formação intelectual integrada e harmoniosa parece raramente realizado; as nossas diretrizes para a formação presbiteral no Brasil não parecem ser observadas;
  • a multiplicação dos ministérios e a consciência de que é preciso edificar comunidades eclesiais exigem que os futuros presbíteros sejam educados não para reproduzir, mais ou menos fielmente, um ideal universal e estereotipado de presbítero válido em qualquer parte do mundo (como, de algum modo, era pressuposto por uma eclesiologia gregoriana, que concebia as dioceses ou Igrejas locais como “partes” da única Igreja ou filiais da agência central)39, mas para construir em diálogo com outros ministros e fiéis (em comunhão, é claro, com a Igreja diocesana e o bispo, vínculo de união com a Igreja toda) uma comunidade eclesial em que se expressam a personalidade, a liberdade e as tradições culturais de seus membros40;
  • o desafio, enfim, da evangelização de uma sociedade em rápida mudança, que gera comportamentos humanos inéditos e suscita problemas éticos inteiramente novos, exige um presbítero particularmente capaz de escutar e discernir os “sinais dos tempos” e de adquirir ele mesmo uma experiência mística sem a qual (nas previsões de Karl Rahner) não subsistirá nem como cristão, tanto menos como pastor de uma porção do povo de Deus.
 
5. A responsabilidade dos Formadores e o sentido da OSIB 
  Se estes são alguns dos desafios do presente, não é difícil enxergar as responsabilidades dos formadores. Algumas tarefas tornar-se-ão prioritárias:
  1. oo cuidado do desenvolvimento pessoal do seminarista, particularmente de sua fé. Não é mais possível pressupor que o candidato ao Seminário já possua a maturidade na fé, nem mesmo uma fé ingênua e tranquila. Ele deve perceber as opções de vida que deve fazer e assumi-las progressivamente, empenhando-se antes de tudo para enriquecer ou fortalecer sua experiência de vida cristã, seu empenho no seguimento de Cristo, sua descoberta dos caminhos da experiência do mistério de Deus41;
  2. oa busca de uma formação teológica “completa e unitária” (Pastores Dabo Vobis, 54), que não pode ser interpretada no sentido material (formação enciclopédica), nem deve servir de pretexto para acrescentar mais disciplinas a um currículo já longo e complexo, mas exige um atento discernimento daquilo que é essencial e daquilo que é vital (não só daquilo que a autoridade da Igreja espera – às vezes, será apenas a repetição das últimas orientações do Magistério? -, mas também daquilo que é exigido pelo povo e pelo exercício do ministério). Sobretudo, é indispensável ensinar a pesquisar, a escutar, a dialogar, a estudar, a procurar com rigor a verdade, e a não ficar satisfeito apenas com aquilo que se aprendeu no Seminário, pois hoje é indispensável a formação permanente, a atualização contínua;
  3. oa busca da seriedade nos estudos, hoje dificultada não apenas pela multiplicidade das matérias, mas também pelos preconceitos alimentados por certas concepções da fé: uns pensam que fé e razão nada têm em comum (a razão seria uma presunçosa intromissão no mistério). Outros entendem a fé ou a experiência religiosa como sentimento, emoção (a razão a empobreceria). O ministério presbiteral seria questão de ação, sem muita teoria ou discussões estéreis; o ministério seria arte, tarefa personalíssima, desempenhada segundo o sentir de cada um, sem necessidade de modelos teóricos gerais. Talvez, mais simplesmente, muitos pastores dão aos seminaristas o exemplo de um total desprezo dos estudos, sem mesmo perder tempo a justificar seu pragmatismo. O que lembra outra exigência...
  4. oa busca de um esforço integrado de todos os formadores, a partir da convicção de que a formação presbiteral é um conjunto orgânico, que une e harmoniza diversas dimensões (humano-afetiva, espiritual, comunitária, intelectual, pastoral...). Ela exige que todos os formadores contribuam, cada um a partir de sua responsabilidade específica, para a obtenção do resultado comum: assim a teologia deve estimular a dimensão espiritual e pastoral, o diretor espiritual deve incentivar o estudo, a participação litúrgica, a vida comunitária, o empenho pastoral; também a disciplina, os horários, a atenção dos superiores aos diversos aspectos da formação condicionam a valorização – ou menos – da totalidade.
    Não é preciso acrescentar outros “desafios” para mostrar que a OSIB continua necessária, como esforço solidário e fraterno dos Formadores de buscar sua própria formação e as respostas mais adequadas aos novos desafios da formação, que poderão exigir num próximo futuro até novos “itinerários formativos”, diferentes daqueles que hoje prevalecem em nossos Seminários. 
Pe. Alberto Antoniazzi, Belo Horizonte, M.G. 
25 de janeiro de 2003 – Festa da Conversão de São Paulo, Apóstolo
28 de janeiro de 2003 – Memória de São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja
Matéria exposta na 13ª Assembléia da OSIB – Organização dos Seminários e Institutos do Brasil
Belo Horizonte, 28 de janeiro de 2003
  
 

Cadastro

destaqueCadastro Seminários e Institutos atualizem seus dados no cadastro da OSIB. O objetivo é conhecer onde estão localizadas as casas de formação, quem são seus responsáveis e de qual etapa formativa se encarregam.

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